Foi ontem divulgado o relatório sobre a crise na Geórgia em Agosto de 2008. Está disponível em www.ceiig.ch e foi encomendado pela União Europeia, tendo sido elaborado por uma equipa chefiada por uma diplomata suíça - primeiro nome Heidi, como não podia deixar de ser.
O relatório diz aquilo que há muito era óbvio: a Geórgia, ou seja, o Presidente Saakashvili, foi quem deu o primeiro tiro e a Rússia, há muito preparada, ou seja, à espera do pretexto, não perdeu tempo para aproveitar a desculpa. O que se seguiu não exime ninguém de culpas: a Geórgia bombardeou intensamente as regiões separatistas, a Rússia invadiu a Geórgia proper e ambos cometeram a sua quota-parte de atrocidades.
No rescaldo do conflito, o Presidente Saakashvili mantém-se no poder, embora muito fragilizado pela oposição interna, e a Rússia cometeu o erro crasso de reconhecer como Estados independentes a Ossétia do Sul e a Abcázia. Tem como companhia as mui respeitáveis a Nicarágua e a Venezuela, que, como se sabe, são Estados em que os amanhãs ainda cantam.
quinta-feira, 1 de Outubro de 2009
quinta-feira, 8 de Janeiro de 2009
Pérolas... simplesmente espectacular!
Finalmente está a terminar um calvário de 8 anos (que bem podiam ter sido só 4) de Administração Bush Jr., e bolas, foi MESMO MAU. Não só pelos estragos causados pela sua desastrosa e incompetente gestão, mas também pela sua absoluta e TOTAL falta de tacto, cultura e bom senso. O atrevimento da sua ignorância e a presunção do seu raciocíonio chegaram a levar-nos às lágrimas (de riso).
O melhor disto tudo é que qualquer pessoa que queira escrever uma biografia dele, já tem coisas giras para pôr no 'almanaque'. São os 'bushismos', através dos quais, durante estes 8 anos, ficámos a saber:
- o que pensa de si próprio: "They misunderestimated me." Bentonville, Arkansas, 6 November, 2000
- o que (não) percebe de Política Internacional: "For a century and a half now, America and Japan have formed one of the great and enduring alliances of modern times." Tokyo, 18 February, 2002
- o que pensa sobre a guerra: "I think war is a dangerous place." Washington DC, 7 May, 2003
- o que pensa sobre o seu trabalho: "You know, one of the hardest parts of my job is to connect Iraq to the war on terror." CBS News, Washington DC, 6 September, 2006
- o que pensa sobre educação: "You teach a child to read, and he or her will be able to pass a literacy test.'' Townsend, Tennessee, 21 February, 2001
- que tem jeito para Economia: "It's clearly a budget. It's got a lot of numbers in it." Reuters, 5 May, 2000
- que não é info-excluído: "Information is moving. You know, nightly news is one way, of course, but it's also moving through the blogosphere and through the Internets." Washington DC, 2 May, 2007
- que está em contacto com a Natureza: "I know the human being and fish can coexist peacefully." Saginaw, Michigan, 29 September, 2000
- que é decidido: "I'm the decider, and I decide what is best." Washington DC, 18 April, 2006
Mas sobretudo ficámos a saber o que pensa do seu trabalho na Casa Branca: "I'll be long gone before some smart person ever figures out what happened inside this Oval Office." Washington DC, 12 May, 2008
Mais aqui > http://news.bbc.co.uk/2/hi/americas/7809160.stm
ou aqui > http://politicalhumor.about.com/library/blbushisms.htm
No que toca a 'bushismos', o mundo é vosso. Há literalmente 345.000 entradas no Google sobre o assunto.
Depois de Monty Python, do que eu gosto é de um bom 'bushismo'!!!!
O melhor disto tudo é que qualquer pessoa que queira escrever uma biografia dele, já tem coisas giras para pôr no 'almanaque'. São os 'bushismos', através dos quais, durante estes 8 anos, ficámos a saber:
- o que pensa de si próprio: "They misunderestimated me." Bentonville, Arkansas, 6 November, 2000
- o que (não) percebe de Política Internacional: "For a century and a half now, America and Japan have formed one of the great and enduring alliances of modern times." Tokyo, 18 February, 2002
- o que pensa sobre a guerra: "I think war is a dangerous place." Washington DC, 7 May, 2003
- o que pensa sobre o seu trabalho: "You know, one of the hardest parts of my job is to connect Iraq to the war on terror." CBS News, Washington DC, 6 September, 2006
- o que pensa sobre educação: "You teach a child to read, and he or her will be able to pass a literacy test.'' Townsend, Tennessee, 21 February, 2001
- que tem jeito para Economia: "It's clearly a budget. It's got a lot of numbers in it." Reuters, 5 May, 2000
- que não é info-excluído: "Information is moving. You know, nightly news is one way, of course, but it's also moving through the blogosphere and through the Internets." Washington DC, 2 May, 2007
- que está em contacto com a Natureza: "I know the human being and fish can coexist peacefully." Saginaw, Michigan, 29 September, 2000
- que é decidido: "I'm the decider, and I decide what is best." Washington DC, 18 April, 2006
Mas sobretudo ficámos a saber o que pensa do seu trabalho na Casa Branca: "I'll be long gone before some smart person ever figures out what happened inside this Oval Office." Washington DC, 12 May, 2008
Mais aqui > http://news.bbc.co.uk/2/hi/americas/7809160.stm
ou aqui > http://politicalhumor.about.com/library/blbushisms.htm
No que toca a 'bushismos', o mundo é vosso. Há literalmente 345.000 entradas no Google sobre o assunto.
Depois de Monty Python, do que eu gosto é de um bom 'bushismo'!!!!
segunda-feira, 5 de Janeiro de 2009
Os presentes no sapatinho de Obama
Em Relações Internacionais, especificamente em Política Internacional, costumamos dizer que as decisões são racionais ou irracionais consoante os resultados obtidos. Analisemos à luz deste preceito:
- tensão entre India e Paquistão (ambos potencias nucleares).
- dificuldades na operação no Afeganistão.
- Retirada norte-americana do Iraque é capaz de gerar muito mais confusão do que o esperado.
- Africa em chamas: Sudão, Somália, Quenia, Zimbabwe, Congo (potencialmente teremos RAS e Gana em 2009 a juntar-se ao clube). Ainda não vou criticar as acções do Exercito da Guiné Conakri, que por enquanto parecem honestas, mas com todo o potencial para se transformarem e darem origem ao tradicional regime militar opressor africano (um modelo de sucesso naquela paragens).
- Georgia e Kosovo: duas lindas pérolas!
- Relações Israel-Palestina em estado de sítio (Road map to hell)
Creio que infelizmente para as hostes de GWB, a história não irá ser simpática com os resultados da sua Administração.
Também acho que Obama nomeou Hillary como sua Diplomata nº1 para a castigar...
- tensão entre India e Paquistão (ambos potencias nucleares).
- dificuldades na operação no Afeganistão.
- Retirada norte-americana do Iraque é capaz de gerar muito mais confusão do que o esperado.
- Africa em chamas: Sudão, Somália, Quenia, Zimbabwe, Congo (potencialmente teremos RAS e Gana em 2009 a juntar-se ao clube). Ainda não vou criticar as acções do Exercito da Guiné Conakri, que por enquanto parecem honestas, mas com todo o potencial para se transformarem e darem origem ao tradicional regime militar opressor africano (um modelo de sucesso naquela paragens).
- Georgia e Kosovo: duas lindas pérolas!
- Relações Israel-Palestina em estado de sítio (Road map to hell)
Creio que infelizmente para as hostes de GWB, a história não irá ser simpática com os resultados da sua Administração.
Também acho que Obama nomeou Hillary como sua Diplomata nº1 para a castigar...
sexta-feira, 14 de Novembro de 2008
RDC
Já foi Estado Livre do Congo, Congo Belga, República do Congo, Zaire e agora é República Democrática do Congo... As mudanças toponímicas foram muitas, mas, infelizmente, o Congo raramente (se é que alguma vez o foi) é notícia por bons motivos... Agora na região do Kivu (John Le Carré conhece-a bem), com o Ruanda à mistura e Angola a procurar manter o apoio a Kinshasa. Sei pouco de África, mas desconfio que, a haver solução para o Congo e a tristemente famosa região dos Grandes Lagos, ela terá de vir de fora... No momento em que os vizinhos e, principalmente, as potências regionais deixarem de ter interesse na instabilidade daquela zona ela provavelmente deixará de ser tão forte. E esse momento pode estar a chegar. Há uns anos Angola, Ruanda e outros já teriam enviado tropas, cada um disposto a defender o seu quinhão, mas agora assiste-se a uma difícil auto-contenção, porque os riscos de essa instabilidade se alastrar não são poucos e os custos seriam enormes...
Para seguir o que se passa ver http://drc.ushahidi.com/
Para seguir o que se passa ver http://drc.ushahidi.com/
quinta-feira, 13 de Novembro de 2008
Accountability
Os EUA têm destas coisas... A equipa de transição de Obama criou um site a explicar todo o processo de mudança de administração, convenientemente alojado no endereço www.change.gov. Agora conhece-se o questionário que potenciais candidatos a cargos públicos terão de preencher caso queiram trabalhar na Administração (ver aqui). Relembre-se que há milhares de postos up for grabs, já que a administração federal não é, como na generalidade dos países europeus, neutral (a série Yes Minister não se poderia passar nos EUA). As escolhas políticas são muitas e todo o cuidado é pouco...
segunda-feira, 10 de Novembro de 2008
De regresso
E regresso, como não podia deixar de ser, com a vitória de Obama. Muito já se escreveu sobre os desafios que tem pela frente, sobre a dificuldade que terá em manter viva a chama de esperança que o levou a ser eleito e sobre o duro choque que todos aqueles que, fora dos EUA, o apoiaram vão ter quando Obama começar efectivamente a governar. Aguardaremos. Até lá registo apenas três momentos:
1 - O discuros de vitória:
2 - O discurso de McCain, de uma dignidade a toda a prova:
3 - Os melhores momentos de Sarah Palin, para quem ainda tenha dúvidas sobre a preparação desta senhora:
1 - O discuros de vitória:
2 - O discurso de McCain, de uma dignidade a toda a prova:
3 - Os melhores momentos de Sarah Palin, para quem ainda tenha dúvidas sobre a preparação desta senhora:
sexta-feira, 3 de Outubro de 2008
Kosovo
Parece que o Governo Português se prepara para, em breve, talvez já na terça-feira, reconhecer a independência do Kosovo. Apesar de ter sido daqueles que concordou com a recusa inicial de Lisboa em dar esse passo em Fevereiro, penso que, agora, esta é uma decisão compreensível. E porquê?Essencialmente, porque a política não é o que nós gostaríamos que fosse, mas sim aquilo que é. De facto, no plano dos princípios a nossa posição de não reconhecimento é muito confortável, já que temos o Direito Internacional do nosso lado. E, para um país como Portugal, o Direito Internacional é uma arma diplomática fundamental. Não temos outra, seja ela militar ou mesmo económica. Só pugnando por uma defesa intransigente do Direito Internacional é que garantiremos o respeito pelos compromissos internacionais - não pela razão da força, mas sim pela força da razão.
Há, contudo, outras razões a ter em conta, que se sobrepõem àquela:
- todos os nossos Aliados, com excepções em Madrid, Bratislava, Atenas, Nicósia e Bucareste (por razões que não se nos aplicam) reconheceram a independência. Não se trata aqui de defender uma política de Maria-vai-com-todos. Trata-se, somente, de reconhecer que estamos desalinhados do nosso centro político natural. E porquê? Países da nossa dimensão, para quem o Direito Internacional e a defesa dos seus princípios, é tão ou mais fundamental do que para nós, já reconheceram o Kosovo. Lisboa continua numa posição, não de intransigência, mas de reflexão, que não é, de todo, confortável. A decisão não foi de não reconhecer nunca. Foi a de não reconhecer por enquanto. Ora, já vimos como a situação evoluiu no terreno e eventuais reticências que pudessem existir no passado não se confirmaram no presente;
- Portugal participou na campanha aérea da OTAN de 1999 que nos conduziu, em última análise, à situação actual. Porquê, agora, continuar a sublinhar a perenidade de certos princípios que, na altura, não nos toldaram a acção?
- a situação no e do Kosovo é, de facto, sui generis. A própria Rússia, que até há pouco tempo mantinha uma certa superioridade moral nesta questão (que perdeu quando reconheceu a Abcázia e a Ossétia do Sul), hesita em fazer paralelismos entre as duas situações.
É certo que o timing da decisão do Governo português pode não ser o melhor, atendendo à situação no Cáucaso, mas os custos do não reconhecimento parecem, e aqui há que acreditar no que diz o Governo, ultrapassar, largamente, os custos da manutenção da actual situação... Como diria o outro, I go to bed an idealist, but wake up a realist!
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